PERTENCIMENTO E DISTANCIAMENTO

 

A hermenêutica é uma área da filosofia que estuda a interpretação. A hermenêutica desempenha um papel em várias disciplinas cujo assunto exige abordagens interpretativas, caracteristicamente, porque o assunto disciplinar diz respeito ao significado das preocupações, implicações e ações humanas, ou o significado da experiência humana como é preservado nas artes e literatura, testemunho histórico e outros artefatos. Dentro dessa área, dois conceitos importantes são o pertencimento e o distanciamento , que foram trabalhados por dois filósofos: Hans-Georg Gadamer e Paul Ricoeur.

Este verbo tem como objetivo explicar o que significa pertencimento e distanciamento, como cada autor os entende e como esses conceitos se relacionam. Para Gadamer, o pertencimento é fundamental, pois ele acredita que se estará sempre ligado à tradição e ao contexto histórico que influencia como se interpreta as coisas. Já Ricoeur destaca a importância do distanciamento, defendendo que é preciso se afastar do texto ou da tradição para enxergar novos significados.

Apesar de parecerem opostos, o pertencimento e o distanciamento se complementam. Gadamer dá destaque à continuidade e à conexão com a tradição, enquanto Ricoeur lembra a necessidade de um afastamento crítico para compreensão do texto.


SUMÁRIO

 

1         Pertencimento em Hans-Georg Gadamer

1.1       Definição e papel na hermenêutica

1.2       A tradição e a fusão de horizontes

1.3       Pertencimento e tradição

2         Pertencimento de Paul Ricoeur

2.1       Perspectiva do Pertencimento no contexto da crítica

2.2       Comparação entre Gadamer

3         Relação entre Gadamer e Ricoeur

3.1       Pertencimento como ponto de partida

3.2       Distanciamento como momento crítico

3.3       Complementariedade entre Gadamer e Ricoeur

4         Conclusão

5         Referências Bibliográficas

1. Pertencimento em Hans-Georg Gadamer

O conceito de pertencimento em Hans-Georg Gadamer é central para sua filosofia hermenêutica. Ele destaca que todo ato de compreensão ocorre dentro de um contexto histórico e cultural ao qual o intérprete pertence.

1.1. Definição e papel na hermenêutica

Na hermenêutica de Hans-Georg Gadamer, o pertencimento ocupa um lugar central como condição essencial para a compreensão. Gadamer argumenta que o intérprete nunca se encontra fora da tradição ou alheio ao contexto histórico que dá forma ao objeto interpretado. Pelo contrário, o pertencimento é a maneira como o intérprete se vê inserido na história efetiva ( Wirkungsgeschichte ), que opera continuamente, moldando tanto as pré-compreensões quanto o processo interpretativo.

Como Gadamer observa, "pertencente é aquilo que é feito pela interpelação da tradição. Aquele que está imerso em tradições [...] tem que prestar ouvidos ao que ele chega a partir delas. A verdade da tradição é como o presente que está imediatamente aberto aos sentidos" [1] . Este pertencimento, portanto, não é uma escolha do intérprete, mas uma condição ontológica de sua existência e de sua relação com o mundo.

O pertencimento também se manifesta na fusão de horizontes ( Horizontverschmelzung ), conceito em que o horizonte do intérprete dialoga com o horizonte do texto ou da tradição. Nesse processo, ambos os horizontes se transformam mutuamente, revelando uma nova verdade que transcende as perspectivas individuais. Essa dinâmica evidencia que a compreensão não é um ato isolado de subjetividade, mas um evento de significado que pertence à continuidade da história e da tradição.

Além disso, Gadamer sublinha a importância dos preconceitos como condição para a compreensão. Longe de serem um obstáculo, os preconceitos representam os pressupostos que nos permitem engajar com o texto e a tradição de maneira significativa. A hermenêutica, nesse sentido, revela que o pertencimento não limita a interpretação; ao contrário, é uma base que possibilita a abertura ao diálogo com o passado e o encontro com a verdade.

Assim, para Gadamer, o pertencimento é simultaneamente uma realidade histórica e uma exigência hermenêutica, que reafirma a conexão indissolúvel entre a interpretação e o objeto interpretado. Essa relação ressalta que toda compreensão é, em última análise, um evento de pertencimento à história e à tradição que é específico nosso ser no mundo. [2]

1.2. A tradição e a fusão de horizontes

A tradição não é algo estático, mas um processo dinâmico em que novos significados surgem a partir da interação entre os horizontes históricos do passado e do presente.

Nesse contexto, Gadamer introduz a ideia de "fusão de horizontes", que representa o encontro e a interação entre o horizonte do intérprete e o objeto de interpretação (como um texto ou obra de arte). Ele afirma: "Toda nossa atenção sobre a formação e a fusão de horizontes tinha em vista precisamente descrever a maneira como se realiza a consciência da história efetiva." [3]

Essa fusão ocorre quando os preconceitos do intérprete são postos em diálogo com a historicidade da tradição. Não se trata de apagar as diferenças entre os horizontes, mas de criar um novo horizonte que incorpore aspectos de ambos. A compreensão, portanto, é um processo criativo que envolve tanta continuidade quanto inovação. [4]

Gadamer também destaca a temporalidade como um elemento essencial da tradição. A distância temporal, em vez de ser um obstáculo, é uma condição para o entendimento, pois permite que os significados do passado sejam reconsiderados e reinterpretados à luz das preocupações atuais. “A tradição não é simplesmente um acontecer que se pode conhecer e dominar pela experiência, mas é linguagem, isto é, fala por si mesma.” [5 ]

1.3. Pertencimento e Tradição

Para Gadamer, o conceito de pertencimento não está no centro de sua filosofia hermenêutica. Ele defende que a “compreensão não é algo puramente individual ou subjetivo, mas é sempre um processo situado, condicionado por pertencer a uma tradição cultural, histórica e linguística”. [6] Não é possível compreender sem que haja uma relação com aquilo que é interpretado, e essa relação é moldada pelas estruturas e heranças históricas que compõem uma vivência. Gadamer descreve a compreensão de um assunto relacionado. O ser humano não é um observador distante que pode separar-se do contexto que interpreta. Ao contrário, sempre se faz parte da história e da tradição que se precede, e isso configura os preconceitos, os pressupostos e as formas de entender. Com isso, o pertencimento não é uma limitação, mas uma condição para que a compreensão ocorra. O pertencimento, nesse sentido, reflete o caráter situado do intérprete. Compreender algo é sempre compreender a partir de um horizonte de sentido que precede e constituições. Gadamer rejeita a ideia de neutralidade na interpretação, enfatizando que a compreensão ocorre em um diálogo contínuo entre o passado e o presente.

2. Pertencimento em Paul Ricoeur

Embora Ricoeur seja mais conhecido por destacar o distanciamento , ele reconhece que o pertencimento é a base inicial da compreensão, pois o intérprete sempre traz consigo pressupostos culturais, históricos e linguísticos que o conectam ao texto ou à tradição.

2.1. Perspectiva do pertencimento no contexto da crítica

Paul Ricoeur, embora profundamente inspirado pela tradição hermenêutica, apresenta uma abordagem distinta em relação ao conceito de pertencimento . Para ele, o pertencimento não é apenas uma questão de ser parte de uma tradição que molda a interpretação, mas está intimamente ligado à distância crítica que o intérprete precisa manter em relação à tradição e aos textos que interpreta.

Em sua obra Do Texto à Ação , Ricoeur enfatiza que, ao interpretar um texto ou uma tradição, o intérprete não deve simplesmente absorver passivamente as ideias que foram transmitidas, mas deve se distanciar criticamente delas. Esse distanciamento permite que o texto seja compreendido de maneira mais profunda e livre das limitações de sua origem histórica e cultural. Ricoeur adota a ideia de que a compreensão envolve uma mediação entre o pertencimento e a crítica, permitindo que o texto revele novos sentidos sem ser completamente dominado pelo contexto da interpretação.

Ricoeur escreve: "O entendimento de um texto não é simplesmente uma repetição passiva do que ele diz, mas uma operação ativa de distanciamento, que abre a possibilidade de um novo sentido" [7]

O pertencimento, para Ricoeur, envolve uma reconciliação entre o histórico e o crítico. Ele defende que o intérprete deve estar imerso na tradição e no contexto histórico, mas ao mesmo tempo, deve distanciar-se dessa mesma tradição para conseguir pensar e recriar o significado das palavras e ideias do passado. Essa tensão entre pertencimento e distanciamento é essencial para a interpretação, pois permite que o intérprete participe ativamente do processo de renovação do significado.

Além disso, Ricoeur acredita que o pertencimento não deve ser entendido como uma simples herança passiva, mas como um mecanismo dinâmico , em que o intérprete se apropria da tradição ao mesmo tempo em que a crítica e a transformação. Isso implica em um pertencimento dialético , no qual o intérprete nunca é completamente "dominado" pela tradição, mas também não está fora dela. [8]

2.2. Comparação com Gadamer

Quando se compara a abordagem de pertencimento de Ricoeur com a de Gadamer , vemos que, embora ambos reconheçam a importância da tradição, suas visões sobre o papel do pertencimento e da crítica são distintas. Para Gadamer, o pertencimento à tradição é um processo contínuo e consequente. A tradição, segundo ele, não pode ser superada; ela é o ponto de partida para qualquer compreensão, e a fusão de horizontes entre o intérprete e o texto é o meio pelo qual a compreensão se realiza. [9]

Em contraste, Ricoeur dá maior ênfase à autonomia do texto e ao distanciamento crítico do intérprete. Para Ricoeur, o pertencimento à tradição deve ser mediado pela crítica e pelo distanciamento, permitindo ao intérprete não apenas entender a tradição, mas também reinterpretá-la à luz das questões contemporâneas.

Uma citação mais representativa de Ricoeur seria: "A interpretação exige um equilíbrio entre a continuidade com o passado e a renovação do sentido, o que só é possível através do distanciamento crítico. Sem isso, corremos o risco de ser prisioneiros da tradição" [10]

3. Relação entre Gadamer e Ricoeur

Gadamer e Paul Ricoeur são dois dos principais representantes da hermenêutica contemporânea, e embora compartilhem uma visão sobre a historicidade e o caráter linguístico da compreensão, suas abordagens em aspectos fundamentais. Suas ideias, no entanto, dialogam e se complementam, enriquecendo a hermenêutica como disciplina.

3.1. Pertencimento como ponto de partida

Para ambos os filósofos, o pertencimento é o ponto de partida da interpretação. Isso significa que, ao tentar entender algo – seja um texto, uma obra de arte ou uma tradição –, uma pessoa já carrega ideias, valores e crenças moldados por seu contexto histórico, cultural e linguístico.

Gadamer é quem mais valoriza esse aspecto. Ele acredita que o pertencimento à tradição é progressivo e até necessário, pois são esses elementos prévios que possibilitam a compreensão. Para ele, nossos preconceitos (ou pré-compreensões) não são necessariamente ruínas; pelo contrário, eles funcionam como lentes que nos ajudam a interpretar o mundo. Ricoeur também concorda com essa ideia, mas sugere que, se ficarmos apenas presos ao pertencimento, corremos o risco de aceitar a tradição sem questionar. [11]

3.2. Distanciamento como momento crítico

É aqui que Ricoeur propõe algo novo e complementar à visão de Gadamer. Para ele, o intérprete não deve apenas aceitar o que a tradição oferece, mas também deve se distanciar dela. Esse distanciamento não significa rejeitar o passado ou ignorar a tradição, mas sim criar um espaço para refletir criticamente.

Por exemplo, quando lemos um texto antigo, é importante considerar o contexto em que ele foi escrito, mas também tentar enxergar como ele pode trazer novos significados para os dias de hoje. Ricoeur acredita que esse distanciamento é o que nos permite questionar, reinterpretar e até atualizar o que foi transmitido pela tradição. Sem esse passo, a interpretação pode se tornar um simples ato de repetir o passado, sem inovação ou criatividade. [12]

3.3. Complementariedade entre Gadamer e Ricoeur

Embora os conceitos de pertencimento e distanciamento pareçam estar em tensão, eles não se anulam, mas se complementam. A continuidade com o passado (pertencimento) e a renovação do sentido (distanciamento) formam, juntas, a base de uma interpretação mais rica e profunda.

Por exemplo, ao interpretar um texto antigo , o pertencimento, conforme entendido por Gadamer, nos ajuda a entender como ele foi moldado pelo contexto histórico, cultural e linguístico . Esse conhecimento nos permite compreender os interesses originais do autor, as condições históricas de sua época e a maneira como ele se comunicava com seu público. O conhecimento, nesse caso, envolve conformidades com o contexto original , sem o qual a compreensão do texto seria limitado.

Entretanto, o distanciamento, conforme defendido por Ricoeur, permite que o intérprete se afaste desse contexto original , proporcionando uma oportunidade de enxergar o texto de uma nova forma , aplicando-lhe novos significados. Esse distanciamento permite ver como o texto, apesar de ter sido escrito em um determinado tempo e lugar, pode ter implicações e relevância para os dias de hoje . Por exemplo, um texto filosófico de Platão, embora escrito na Grécia Antiga, pode oferecer novos insights sobre questões contemporâneas, como ética, política ou identidade, justamente porque o intérprete pode fazer um distanciamento crítico e refletir sobre como ele se relaciona com o presente. [13]

4. Conclusão

O conceito de pertencimento e distanciamento , conforme abordado por Gadamer e Ricoeur , revela a complexidade e a profundidade do processo hermenêutico. Para Gadamer, o pertencimento é fundamental, pois a compreensão está sempre enraizada em nossa tradição, contexto histórico e cultural. Essa conexão com o passado, longe de ser uma limitação, é vista como um ponto de partida necessário para a interpretação. A ideia da fusão de horizontes enfatiza como a tradição molda nossa compreensão e como, ao interpretarmos, nos conectamos com as gerações anteriores, criando um diálogo contínuo entre o passado e o presente.

Por outro lado, Ricoeur introduz uma ideia de distanciamento como uma necessidade crítica. Embora ele reconheça a importância do pertencimento, acredita que a compreensão não pode se limitar à reprodução ou à mera facilidade do que a tradição nos oferece. O distanciamento permite um afastamento do contexto original do texto ou da tradição, possibilitando a renovação dos significados e sua aplicação em novos contextos . Para Ricoeur, esse distanciamento não é um rompimento com o passado, mas uma forma de dar espaço para uma interpretação mais rica e criativa , que leve em conta as demandas e questões do presente.

A interação entre esses dois conceitos — pertencimento e distanciamento — é essencial para o processo hermenêutico, pois ambos se complementam. O pertencimento liga-se às raízes e dá uma base para a interpretação, enquanto o distanciamento oferece a liberdade necessária para questionar, atualizar e contextualizar o significado das tradições. Juntos, esses conceitos formam um ciclo interpretativo contínuo, no qual a tradição é tanto respeitada quanto criticada, permitindo uma compreensão dinâmica e evolutiva . Assim, o processo hermenêutico não é apenas uma busca pela verdade do passado, mas também uma forma de renovar e expandir o significado das experiências humanas, mantendo sua relevância para o presente e para o futuro.

5. Referência Bibliográfica

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método . Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

RICOEUR, Paulo. Do Texto à Ação . Porto Alegre, RS: Artmed, 1994.

RICOEUR, Paulo. Tempo e Narrativa I . São Paulo, SP: Martins Fontes, 1994.

BETTI, Emílio. Teoria Geral da Interpretação . Tübingen: Mohr Siebeck, 1962.

BARBOSA, Magaly do Carmo. O conceito de história efetiva (Wirkungsgeschichte) em Hans-Georg Gadamer em paralelo com a historicidade do Dasein (Geschichtliches) em Martin Heidegger . Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, 2019. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/8923

Artigo em Periódico Científico : LEÃO, Richard Douglas Coelho. Hermenêutica das tradições em Gadamer e a crítica das ideologias de Habermas: um debate sobre a obra Interpretação e Ideologias de Paul Ricoeur. Emblemas - Revista da Unidade Acadêmica Especial de História e Ciências Sociais - UFG/CAC , v. 26-39, jul./dez. 2016. Disponível em: https://periodicos.ufcat.edu.br/index.php/emblemas/article/view/45657/22590

RICOEUR, Paulo. O Conflito das Interpretações: Ensaios de Hermenêutica . Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1978.

COSTA JÚNIOR, Ernane Salles da. Constitucionalismo e hermenêutica crítica da consciência histórica: Ricoeur, leitor de Gadamer . Revista de Informação Legislativa: RIL , https: //www12.s.senado.perna.br/ril /ed/57 /228 /ril_v57_n228_p165

 

Informações sobre o autor:

Antonio Martins é acadêmico do 4º semestre do curso de filosofia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande – MS. Religioso, clérigo, salesiano de Dom Bosco e Pós-noviço em formação inicial na Congregação Salesiana. Natural do Rio de Janeiro, RJ, nascido em 7 de junho de 2002.

Antonio Martins - antoniom@salesiano.br



[1] Gadamer,Verdade e Método,1997, p.467

[2] Gadamer,Verdade e Método,1997, p.467

[3] Gadamer,Verdade e Método, 1997, p. 505

[4] Gadamer,Verdade e Método, 1997, p. 505

[5] Gadamer,Verdade e Método, 1997, p. 528

[6] Gadamer,Verdade e Método, 1997, p. 540

[7] Ricoeur,Do Texto à Ação,1994,p. 88

[8] Ricoeur,Do Texto à Ação,1994, p. 88

[9] Gadamer,Verdade e Método, 1997, p. 555

[10] Ricoeur,Tempo e Narrativa I,1994, p. 89

[11] Richard Douglas Coelho Leão, "Hermenêutica das tradições em Gadamer e a crítica das ideologias de Habermas: um debate sobre a obraInterpretação e Ideologiasde Paul Ricoeur,"Emblemas - Revista da Unidade Acadêmica Especial de História e Ciências Sociais - UFG/CAC13, nº 2 (2016): 26-39

[12] Ricoeur,O Conflito das Interpretações: Ensaios de Hermenêutica,1978, p. 45

[13] Ernane Salles da Costa Junior, "Constitucionalismo e hermenêutica crítica da consciência histórica: Ricoeur, leitor de Gadamer,"Revista de Informação Legislativa: RIL, Brasília, DF, v. 165-178, out./dez. 2020. Disponível em: [https ://www12 .senado .leg .br /ril /edicoes /57 /228 /ril_v

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