A HERMENÊUTICA FILOSÓFICA DE GADAMER
Introdução
A hermenêutica, é uma palavra que emerge no século XVII. No início, sua utilização é entendida como uma ciência ou a arte (Techné) da interpretação, cujo objetivo seria a elaboração de técnicas ou regras mais apuradas para a interpretação de textos ou sinais [1] . Como podemos citar o Filosofo Filon de Alexandria. Com o Passar do tempo e o aprofundamento desta ciência e seu método de interpretação, surgido-se diversas teorias e entendimentos, realizados por diversos filósofos como Agostinho com a Semiótica, Heidegger, Schleiermacher e etc. hermenêutica. A hermenêutica, com a contribuição de Gadamer, passa, de um conjunto de técnicas de interpretação, a filosofia, correspondendo a uma concepção de sentido de todo o real [2] . Com a obra Verdade e método , Hans-Georg Gadamer realiza essa mudança e alcança um caráter universal filosófico e histórico. Neste verbete, apresentamos o processo realizado por Gadamer ao postular sua concepção de hermenêutica filosófica. Onde trataremos sobre os traços da tradição, linguagem e compreensão da Hermenêutica filosófica Gadameriana [3] . Buscando apresentar os principais elementos do pensamento deste filosofo supracitado.
SUMÁRIO:
1. Contextualização histórica e biográfica
2. Tradição
3. Linguagem
4. Compreensão
5. Conclusão
6. Referência
1. Contextualização histórica e biográfica
Hans-Georg Gadamer, foi um filósofo alemão nascido em 11 de fevereiro do ano de 1900, em Marburgo – Alemanha. Com o seu livro Verdade e Método , que tratará sobre a Hermenêutica filosófica, ele é reconhecido como um expoente neste assunto e influenciador hermeneuta da filosofia contemporânea continental [4] . O Escritor supracitado, ganha destaque por postular um novo pensamento sobre a hermenêutica, baseando-se e desenvolvendo em seus escritos, muitas ideias de Martin Heidegger, diferenciando-se em alguns pontos. Propondo em seu livro uma justificação filosófica para a “experiência da verdade que transcende o domínio do método científico” [5] . por meio de uma fundamentação ontológica da linguagem [6] . Gadamer utiliza em teoria sua Hermenêutica filosófica, sua descoberta sobre as experiências da verdade que ocorrem na compreensão de uma obra de arte e que não se baseia no método. Gadamer, descobre duas tarefas hermenêuticas diferentes, que são: a dependência e a integração. Essas duas tarefas estão associadas respectivamente aos filósofos Schleiermacher e Hegel, e às suas teorias hermenêuticas. Nas duas tarefas, uma estará em detrimento da outra. Gadamer opta por Hegel e sua hermenêutica da integração. [7]
O pensador Schleiermacher, propõe uma mudança radical na tarefa da hermenêutica, diferenciando-se do que Gadamer acredita, que a hermenêutica, enquanto técnica para interpretação, só é necessária quando o significado do texto não é claro, e o objetivo que a hermenêutica exerce é compreender a verdade que o texto contém. Já sua tarefa é integrar essa verdade em nossa vida. Chagando a uma tese de que a compreensão significa chegar a um acordo em relação a algum assunto. Por este motivo a integração é o caminho escolhido por ele. Nesta perspectiva, Gadamer resgata o começo da hermenêutica moderna, onde a tarefa da hermenêutica tratava da integração da verdade do assunto do texto. Apesar de Schleiermacher desenvolver uma teoria universal, ele muda a tarefa da hermenêutica para a orientação ao enfatizar a interpretação psicológica [8] .
Seguindo a última filosofia relatada, o pensador Dilthey expandiu a tarefa hermenêutica da explicação com a teoria da compreensão nas ciências humanas. Em sua teoria, ele tenta com o seu projeto, aplicar filosoficamente reivindicações de conhecimento nas ciências humanas.
Reconhecendo que “o historiador, que deve compreender a história, é ele próprio um ser histórico de vida numa tradição particular” [9] . Dilthey percebe que o historiador não pode obter um ponto de vista objetivo, isso seria possível somente nas ciências naturais que se concentram na explicação causal, e não nas humanas; com isso ele postula que o conhecimento válido deve ser compreendido de experiências vívidas, sendo o significado válido, a criação partindo do pressuposto da realidade histórica da vida [10] .
Gadamer identifica um problema nesta teoria. O problema de Dilthey em seu pensamento é “mover-se do conhecimento válido no nível individual para o conhecimento válido de estruturas significativas dentro da própria história” [11] . O Pensador introduz no seu discurso “sujeitos lógicos” [12] . Dilthey acredita que a vida individual é capaz de compreender a vida em geral e a consciência histórica pode compreender a tradição, pois ambas estão fundamentadas na vida [13] .
Gadamer critica o argumento de Dilthey dizendo que ele “transcende erroneamente a historicidade e finidade da compreensão humana como experiência vívida, identificada corretamente, e adota o ponto de vista a-histórico do pensamento científico” [14] . Gadamer observa que com pensamento este Dilthey incorpora em teoria sua um sujeito cartesiano, e este último é incompatível com a filosofia de vida de Dilthey.
A crítica expressada por Gadamer é que a ênfase excessiva na experiência histórica, inserir o indivíduo dentro do círculo hermenêutico da compreensão, que pode trazer uma perspectiva subjetivista, podendo impossibilitá-lo de um ponto de vista reflexivo de uma justificação metodológica, que não inclui a dimensão histórica e cultural do entendimento. O filósofo Husserl em sua descrição fenomenológica, inspirou Heidegger para assim ele formular uma teoria capaz de libertar o conceito de vida da justificação metodológica, que foi central para Dilthey. E é por este ponto que Gadamer utilizará as ideias Heideggeriana em sua teoria Hermenêutica Filosófica. [15]
Heidegger desenvolve uma tarefa da hermenêutica à integração ao demonstrar que a compreensão é a realização do
Dasein . O mesmo acredita que “forma original da realização de Dasein, que é ser-no-mundo” [16] revelando assim que a compreensão é uma projeção lançada de um mundo de possibilidades de seu próprio ser, mesmo tendo um passado, um contexto histórico , pela tradição histórica em que o Dasein vive.
2. Tradição
A influência Heideggeriana em Gadamer leva-o a enfatizar o conceito do círculo hermenêutico, que representa a interdependência entre a compreensão do todo e das partes , o todo a partir do indivíduo, e o indivíduo a partir do todo , estruturalmente derivado da temporalidade da presença : a hermenêutica como auto esclarecimento da situação existencial. Segundo a visão Gadameriana, a compreensão não é apenas interpretada o texto, mas envolve-se em um processo contínuo de auto compreensão, onde o indivíduo projeta sentidos anteriores que são constantemente retomados, sendo a arte de compreender para Gadamer, consistindo em corrigir as adaptações Inconscientes [17] .
A compreensão, para Gadamer, não é um ato subjetivo, como aparece em Dilthey, nem objetivo, mas um processo influenciado pela tradição e pela pré-compreensão do indivíduo. A hermenêutica fica assim numa posição estratégica entre a estranheza e a familiaridade da tradição, sem o objetivo de desenvolver um método da compreensão, mas esclarecedora as condições sob as quais surgem a compreensão, tendo como foco a análise de seu processo universal. O postulado de Gadamer de que para compreender a hermenêutica filosófica é necessária abertura. Uma abertura a opinião de outrem e do texto, propondo assim uma abordagem dialógica da comunicação, que não anula o sujeito e nem o coloca numa posição de neutralidade, mas o leva a tomar consciências de seus preconceitos, aqui não como discriminação, pois são os mesmos, não percebidos, que afastaram o sujeito de sua tradição e seu legado [18] .
Gadamer rejeita a ideia iluminista de que todos os preconceitos são negativos, e apresenta em seu argumento de que alguns são legítimos e necessários para a compreensão, pois o ser humano, cada indivíduo, é um ser ontológico, sendo finito e histórico, sempre situado em um contexto histórico que molda sua percepção, sendo assim a realidade histórica de seu ser. Com isso, Gadamer, caracteriza o preconceito no seguinte sentido: “é uma decisão formada anteriormente, mas não necessariamente falso” [19] .
Refletindo sobre o iluminismo, Gadamer também fala sobre a questão da autoridade e da solidariedade, ligadas à questão dentro da tradição. Para ele, a autoridade para ser legítimo não é algo imposto, mas é conquistada pelo reconhecimento de que o que é dito não é arbitrário. A tradição, desta forma, funciona como uma autoridade anônima, cuja continuidade garante a transmissão do conhecimento [20] .
O tempo, na visão gadameriana, não é um impedimento ou obstáculo, mas sim uma condição positiva para a compreensão. A distância temporal permite distinguir entre preconceitos legítimos e falsos, favorecendo uma compreensão mais profunda e contextualizada. Cada período histórico tende a compreender um texto de maneira única, e essa compreensão nunca é definitiva, mas parte de um processo infinito de questionamento e descoberta, fornecido pelo tempo e pela interpretação de cada indivíduo inserido em sua tradição [21] . A hermenêutica de Gadamer destaca a inseparabilidade entre o indivíduo, a tradição e o texto, propondo uma abordagem dialógica e histórica da compreensão, onde o sentido é constantemente renegociado no encontro entre passado e presente. A compreensão não é uma simples reprodução do sentido original do texto, mas um ato produtivo que envolve a fusão de horizontes – o do intérprete e o da tradição [22] .
3. Linguagem
Gadamer traz outro ponto crucial para a hermenêutica, é o tema da aplicação. A mesma faz parte essencial do processo de Compreensão. O pensador apresenta que anteriormente a hermenêutica foi separada em três momentos da compreensão, sendo eles: “ subtilitas intelligendi (compreensão), subtilitas explicandi (interpretação) e subtilitas applicandi (aplicação)” [23] . Ao observar este processo, e discordar, o Hermeneuta, apresenta uma visão que enfatiza que esses elementos são aspectos de um único processo. Unificando a compreensão e a interpretação, sendo aplicável à situação atual do indivíduo interpretante. Postulando assim que não são partes, mas um, de forma que o entendimento não é um método, mas como o mesmo afirma, é um acontecer. Portanto, compreender não é apenas interpretar um texto, mas aplicar seu sentido à realidade do intérprete, estabelecendo um diálogo [24] .
O diálogo tem ligação com a próxima afirmativa do hermeneuta, da qual ele considera uma primazia, que é a pergunta, com o objetivo profundo do conhecimento. O conhecimento surge a partir de perguntas, e do reconhecimento da própria ignorância. O filósofo afirma que “A pergunta, segundo ele, tem primazia no processo hermenêutico, pois é através dela que o sentido é buscado ” [25] .
Apesar de parecer fácil e simples, perguntar é um ato exigente, pois como Gadamer diz, é necessário abertura e disposição para obter resposta, sem estar condicionado e ao mesmo tempo limitado a pergunta, com disposição para questionar o óbvio e abrir-se a novas possibilidades. Nesse contexto, o diálogo com o texto é fundamental, pois o entendimento emerge da interação entre o intérprete e a mensagem do texto. Pois só é possível chegar ao saber, quem realiza o ato de perguntar; mas as perguntas trazem sempre a oposição do assim e do diverso. também não existe método que ensine o perguntar. “Perguntar é, desse modo, mais um padecer que um fazer. Chega um momento em que a pergunta se impõe e não mais podemos permanecer agarrados à opinião costumeira” [26] .
Com isso, a visão Gadameriana acredita que a tarefa da hermenêutica é concebida como a arte de entrar em diálogo com o texto [27] . Ele apresenta essa visão pois explica que “ a compreensão dessa pergunta ocorre quando se ganha o horizonte hermenêutico – horizonte do perguntar que determina a orientação de sentido do texto” [28] .
Entretanto, pode acontecer desafios de compreensão, a dificuldade, neste visto que existem formas de linguagens que são resistentes à textualização, como os antitextos que resistem à textualização por dependerem do contexto momentâneo, como ocorrem com piadas; ou os pseudotextos que são trechos vazios de significado, enquanto os pré-textos ocultam o verdadeiro sentido, muitas vezes distorcendo-o, como acontece em ideologias [29] .
Por isso, a linguagem é apresentada como o meio, o elo, essencial da compreensão. Não se trata apenas de fazer uma reprodução das experiências vivenciadas pelo autor, mas uma forma de alcançar um entendimento que seja comum para com o tema abordado. Sendo necessário o diálogo de tal forma que o indivíduo possa se colocar no lugar do outro e buscar um entendimento mútuo, concretizando um acordo entre os interlocutores. [30] Para Gadamer, a compreensão é um processo, que se realiza de forma ativa e produtiva, onde o sentido do texto é continuamente renegociado, levando à fusão de horizontes entre autor e intérprete, sendo os textos contidos nas manifestações adversas, que se fixam de forma com rigor e que devem ser entendidas. Por isso, o aspecto hermenêutico tem uma relação geral entre falar e pensar, e a interpretação, sendo um círculo fechado na dialética pergunta e resposta [31] .
O Pensador ainda destaca a importância da escrita e sua significação central no processo hermenêutico. Embora os escritos tendam à fixação dos sentidos, Gadamer percebe a existência de uma, muito assim, carência ou falta de flexibilidade, que seja possível a correção de mal-entendidos. E é justamente por esta carência que ele acredita na arte de interpretar, afirmando que a mesma se torna uma ação crucial. A linguagem, segundo Gadamer, é fundamental para a experiência humana, tanto a tradição, como a compreensão, tem uma relação basilar com a linguística. A mesma expressão isso na máxima: “Pensamos com e por palavras” [32] , apresentando uma unidade entre linguística e pensamento. Sua essencialidade para a experiência humana moldada e é moldada pela compreensão do mundo, que se expressa na sociedade e no indivíduo, apresentando o pensamento de que o mundo só é porque vem à linguagem; a linguagem só tem sua verdadeira existência porque representa o mundo [33] . Desta forma, é assertiva a colocação do filosofo que apresenta a teoria de que falar e pensar são processos interligados, onde cada palavra carrega um potencial infinito de significado.
A teoria da compreensão, para Gadamer, é uma teoria que está sempre histórica historicamente. E a forma de compreender isso é pela linguagem, que não é apenas um instrumento, mas o próprio meio pelo qual o mundo se manifesta e é compreendido, tornando assim o processo hermenêutico, contínuo e inesgotável, refletindo a finitude e a historicidade humana, pois não falar humano habita, uma infinidade de sentido a ser desenvolvida e interpretada; não posso dizer tudo incluído, mas colocar em jogo todo um grupo de sentidos [34] .
4. Compreensão:
A linguagem como meio para a compreensão é considerada por Gadamer um desvelamento. A mesma coloca a tradição numa dimensão de profundidade, possibilitando os presentes serem exercícios pela última vez. Nisto, Gadamer enfatizam que o ouvir não tem características hermenêuticas, tem primazia e junto a ele é necessário a disposição para não ter razão, mesmo sendo algo difícil [35] . Isto porque aquele que é pertencente ou tem pertença, foi exercício pela tradição, e para isso anteriormente pressupões o ouvir. Assim a hermenêutica não se mostra como método ou técnica de interpretação, mas ela quer mostrar-se como um processo, que realiza a revelação do sentido. O modo como ela exerce isso é pela dialética que se concretiza por meio dos atos de perguntar e dialogar. Permitindo-se assim libertar o seu olhar e direcionar-se para a coisa em si. [36]
Gadamer então postula que a compreensão envolve algo do que ele denomina um "acontecer" [37] em que o indivíduo que exerce a função de intérprete, dá a permissão para que o sentido se desdobre por si mesmo. Essa ideia do sentido desdobrado por si, tem como seu fundamento a ideia de que o método não é garantia da verdade, mas a garantia está na prática de questionar e investigar, como foi mencionado, assim, exercendo o processo dialético de pergunta e resposta. Justamente deste-se por si mesmo, Gadamer remete ao conceito de evidência, que surge quando algo se torna evidente por si, e consequentemente revelando novas possibilidades. Assim, o pensador afirma que interpretar um texto não é apenas recuperá-lo, mas recriar seu sentido de acordo com a situação do intérprete, sendo a linguagem interpretada, a linguagem do interprete e não a do texto [38] .
Desta forma, em verdade e o método , Gadamer teoriza que a interpretação é uma nova criação do entendimento, e a linguagem do intérprete é ao mesmo tempo a manifestação abrangente da linguística em geral, que em seu objetivo, termina em si todas as formas de uso. Revelando o caráter universal da hermenêutica que por ele é chamado de “virada hermenêutica”, pois muda a compreensão da hermenêutica no mundo contemporâneo. tudo isso porque a linguagem passa a ser entendida como um centro, um elo de união. Ela se reúne em si o homem e o mundo, apresentando uma forma em que ambos aparecem em sua unidade originária. Por isso, aquilo que pode ser compreendido é linguagem. [39]
Para Gadamer, a compreensão tem significado de desenvolvimento e a supracitada realiza-se em um jogo de palavras que descreve o que queremos dizer. Ele também afirmou que qualquer compreensão tem preconceito, mas não é o método que garante a verdade, e aquilo que o método não alcança tem de ser alcançado através da dialética do perguntar e do investigar [40] . Assim como a figura que ele desenvolveu, Heidegger, Gadamer não está desconsiderando ou vendo oposição entre a verdade e o método, mas tecendo uma crítica a um reducionismo dos sorteios técnico-científicos da eficácia, ou pensamento calculador, que somente em si não é suficiente para à vida do homem sobre a terra. Por isso com uma virada hermenêutica impõe, para ele, a tarefa de “encontrar o equilíbrio entre o poder do saber dominante e a sabedoria socrática do não-saber em torno do bem” [41] . “Buscando além das verdades da ciência, responder a vivência humana, que não prescinde de saber ser com os outros e do saber decidir, que partem de um conhecimento integral, meditativo ou crítico-reflexivo, sendo a filosofia, enfim” [42] .
Desta forma, enfim, a teoria hermenêutica de Gadamer é também filosófica, pois a mesma supera uma visão da hermenêutica de somente técnica de interpretação textual, e passa a abordar questões fundamentais do ser e da verdade de forma dialética e universal, por meio do processo de compreensão, que em sua teoria utiliza-se essencialmente da linguagem. É justamente no processo de compreensão da verdade que a hermenêutica adquire os elementos necessários para se tornar filosófica, pois a Filosofia desde seus primórdios é a ciência que busca pela verdade [43] . Gadamer pensa a filosofia como uma ciência essencialmente dialógica, e a linguagem é o meio possível para o diálogo. [44]
Em sua teoria, a ação filosófica é uma conversa contínua com a tradição, com textos e com outros interlocutores. E ambos utilizam a linguagem. A última referência, é o espaço onde o pensamento filosófico pode se desenvolver.
Assim como na Hermenêutica, a linguagem é o meio pelo qual a verdade se manifesta, e a interpretação filosófica é sempre um processo linguístico que busca essa manifestação, da qual ele atraiu-se em Heidegger, que também vê a linguagem como o modo de ser, que demonstram as coisas como elas são. Podemos assim concluir que hermenêutica e filosofia são umas, já que ambas utilizam essencialmente a linguagem para a compreensão e a busca da verdade. E Gadamer consegue, com seus escritos, criar uma Hermenêutica Filosófica [45]
5. Conclusão:
A hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer realiza uma modificação significativa no ato de compreender e unificar a hermenêutica com a filosofia. Ela destaca a inseparabilidade entre linguagem, tradição e o indivíduo intérprete. A linguagem ocupa um papel importante em sua hermenêutica, sendo o meio pelo qual o homem e o mundo se encontram. Também a filosofia para ele é linguística, pois a verdade, que é objeto de busca da filosofia, só pode ser encontrada por meio da linguagem, bem como a sua compreensão. A compreensão é sempre linguística, e o ato de interpretação é visto como um diálogo que exige abertura e disposição para entender o outro. Gadamer afirma que todo processo de compreensão envolve preconceitos, mas eles não são necessariamente negativos; são parte do contexto histórico e cultural do intérprete. A interpretação, para Gadamer, é uma fusão de horizontes, onde o horizonte do intérprete se encontra com o do texto. Esse processo está enraizado na historicidade do ser humano. O conceito de "virada hermenêutica" sublinha que a linguagem é o elemento unificador entre sujeito e mundo, transformando o ato de compreender em uma especificidade ontológica. Conclui afirmando que a hermenêutica filosófica de Gadamer valoriza o papel do diálogo, da tradição e da linguagem na construção do sentido, posicionando a compreensão como uma prática contínua e historicamente histórica. a hermenêutica filosófica de Gadamer não busca estabelecer verdades absolutas, ou desconsiderar o método, mas promover a abertura ao outro, à tradição e ao novo.
6. Referências:
Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1997
GRONDIN, Jean. Introdução à hermenêutica filosófica. São Leopoldo: Editora Unisinos, 1999.
JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8.
Hermenêutica em retrospectiva II: Uma virada hermenêutica. Petrópolis: Vozes, 2007b
SILVA, Maria Luísa Porto Carrero da. H.-G. Gadamer: a Europa e o destino das ciências humanas. In: REIMÃO, Cassiano (Org.). H.-G. Gadamer: experiência, linguagem e interpretação. Lisboa: Universidade Católica, 2003
Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012
DUQUE, João. Da hermenêutica dos limites aos limites da hermenêutica: para uma leitura crítica de Gadamer. In: REIMÃO, Cassiano (Org.). H.-G. Gadamer: experiência, linguagem e interpretação. Lisboa: Universidade Católica, 2003.
MARQUES, Victor Hugo de Oliveira. Hermenêutica filosófica: um ensaio crítico sobre a proposta Gadameriana. Multitemas, Campo Grande, MS, v. 61, pág. 277-295, set./dez. 2020
BIOGRAFIA:
Mario Carlos Vieira Fernandes, 24 anos, natural do Rio de Janeiro é salesiano de Dom Bosco. Atualmente, está no 4º semestre do curso de Filosofia na Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande - MS. Como membro da congregação salesiana, sua trajetória religiosa e acadêmica reflete um compromisso com os valores humanísticos e espirituais da tradição salesiana, alinhando a busca pelo conhecimento filosófico com a missão de educar e evangelizar atuando na comunidade na construção de uma civilização do Amor.
CONTATO:
E-mail – Mario@salesiano.br
[1]
GRONDIN, Jean. Introdução à hermenêutica filosófica. São Leopoldo: Editora Unisinos, 1999.
pág. 23.
[2] DUQUE, João. Da hermenêutica dos limites aos limites da hermenêutica: para uma leitura crítica de Gadamer. In: REIMÃO, Cassiano (Org.). H.-G. Gadamer: experiência, linguagem e interpretação. Lisboa: Universidade Católica, 2003. p. 78.
[3] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 9 – O presente verbete se baseia na estrutura proposta para este artigo.
[4] Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Pág 120
[5] Gadamer afirma que se faz experiências da verdade por meio da arte, filosofia e ciências humanas. Ao fazer essa afirmação, ele retira o limite do conhecimento algo pelo científico. Por isso, emVerdade e o Método I, ele trata da compreensão nestas três áreas e traz uma justificativa filosófica para a hermenêutica, por meio da linguagem.
[6] A linguagem como o meio fundamental para que o ser humano compreenda o mundo e a si mesmo.
[7] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 2
[8] Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Pág. 121
[10] Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Pág. 122
[12] Estes assuntos são grupos coletivos de indivíduos que criam estruturas históricas significativas.
[13] Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Pág. 122
[14] Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Pág. 122
[17] GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 400.
[18] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 3
[19] GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 400
[20] GADAMER, 1997, pág. 445
[22] Schmidt, Lawrence K. Hermenêutica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Pág. 127
[23] GADAMER, 1997, pág. 459
[24] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 14-15
[25] GADAMER, 1997, p. 460-464.
[26] GADAMER, 1997, pág. 538-540
[27] GADAMER, 1997, pág. 541-543
[28] GADAMER, 1997, pág. 544-556
[30] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 15
[31] GADAMER, 1997, p. 566-567
[32] GADAMER, 2004, pág. 234.
[34] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 18
[35] SILVA, Maria Luísa Portocarrero da. H.-G. Gadamer: a Europa e o destino das ciências humanas.
In: REIMÃO, Cassiano (Org.). H.-G. Gadamer: experiência, linguagem e interpretação. Lisboa:
Universidade Católica, 2003. p. 21.
[36] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 17
[37] GADAMER, 1997, pág. 674-675.
[39] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 19
[40] GRONDIN, 1999, p. 182 e 218
[41]
GADAMER, Hans-Georg. Hermenêutica em retrospectiva II: uma virada hermenêutica. Petrópolis:
Vozes, 2007b. pág. 41.
[42] JÚNIOR, Bruno Heringer. Revista da Faculdade de Direito da FMP – 2013, n. 8, pág. 21
[43] Marques, Victor Hugo de Oliveira. Hermenêutica filosófica: um ensaio crítico sobre a proposta Gadameriana. Multitemas, Campo Grande, MS, v. 61, pág. 277-295, set./dez. 2020 pág. 290
[44] Marques, Victor Hugo de Oliveira. Hermenêutica filosófica: um ensaio crítico sobre a proposta Gadameriana. Multitemas, Campo Grande, MS, v. 61, pág. 277-295, set./dez. 2020 pág. 291
[45] Marques, Victor Hugo de Oliveira. Hermenêutica filosófica: um ensaio crítico sobre a proposta Gadameriana. Multitemas, Campo Grande, MS, v. 61, pág. 277-295, set./dez. 2020 pág. 291-293
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